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Pr. Paulo Falçarella

Líder da Casa da Família, ele começou a trabalhar com casais, em 1997, está na IBP desde 2000 e lidera o  ministério com famílias desde 2003. Aos 47 anos, casado com Marília há 24, e pai de Priscila, 21, e Ricardo, 19, o Pr. Paulo Falçarella luta pelas famílias 24 horas por dia. Conheça um pouco mais da história deste servo de Deus.

 

 

Boa Palavra - Conte um pouco sobre a sua conversão e o seu chamado.

Pr. Paulo Falçarella - Bem, Jesus me encontrou perdido em meio aos muitos sonhos que eu tinha em minha juventude. Sonhos que eram sem parâmetros de realidade. Desejava o sucesso a qualquer custo. Era executivo de uma comercial importadora e exportadora e ganhava muito dinheiro, para um rapaz da minha idade. E mais, no tempo em que a inflação era galopante e a cotação do dólar subia sem parar, meu salário era pago em dólares. Casei-me com Marília e, na volta da viagem de lua-de-mel, fui acometido por uma infecção na garganta muito grave e fui medicado com eritromicina. Não sabendo que era alérgico a este antibiótico caí de cama por 60 dias, com uma hepatose medicamentosa. Meu contrato na empresa era 100% de risco. Se eu trabalhasse ganhava, se não trabalhasse, não ganhava.

Bem, este tempo enfermo me custou o emprego em uma época de crise terrível. Tive que ganhar a vida do jeito que dava. Deus permitiu minha queda financeira. Isso me tratou no orgulho e na minha falta de percepção das coisas d´Ele! Minha família, por parte de pai, é evangélica de confissão batista. Minha tia, foi missionária da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo e todos oravam fervorosamente por minha conversão. Eles me evangelizavam sempre que eu permitia diálogo. Orei muitas vezes a oração de entrega a Jesus, mas não havia nascido de novo. Minha conversão se deu de uma forma dramática. Eu havia chegado a uma situação financeira de completa miséria. Eu e Marília não tínhamos dinheiro nem para o ônibus. Nesta época, Marília me ajudava vendendo roupas de porta em porta e estava grávida. Lembro-me dela andando pelas ruas dos bairros de São Bernardo do Campo, de chinelo havaianas e vestido de linha cor-de-rosa, toda inchada, por causa da gravidez, e com aquele sorriso no rosto que é sua marca registrada (quem a conhece sabe disso) e, assim, fazia algum dinheiro para o básico.  Priscilla nasceu e durante seu crescimento me aventurei a abrir uma empresa importadora e exportadora. Verdadeira loucura! Do mesmo jeito que ganhei dinheiro, perdi. Mais um fundo de poço. Lembro-me que, nessa época, devíamos mais de 12 meses de condomínio, prestações do apartamento, já tinha vendido tudo que podia e não havia mais recursos. Uma noite, Marília me disse: “Paulo, este arroz que vamos comer (arroz com arroz) é o último prato de comida que temos”. Eu não sabia mais o que fazer. Tinha tentado tudo. Até emprego de entregador de pizza eu havia tentado e nenhuma porta se abria. Foi quando uma vizinha nossa bateu em nossa porta e, chamando a Marília, ofereceu uma cesta básica. O fez com muito zelo, pois temia que eu ainda brigasse com a


Boa Palavra - De que igreja o senhor veio e que ministérios exercia lá?
 

Marília por aceitar a cesta (imaginem o orgulho do rapaz). Bem, aquele dia foi o golpe final em minha estrutura de orgulho. Quando Marília abriu a cesta, Priscilla viu um pacote de bolachas recheadas e começou a gritar toda alegrinha: “bolacha, mamãe, bolacha!”. Aquilo acabou comigo. Logo após, minha tia Ana Maria (a que era missionária da Cruzada) chamou a mim e Marília para uma conversa. Aquela noite foi definitiva em nossas vidas. Recebi Jesus aos prantos! Estava envergonhado de tê-Lo desprezado tanto e resistido à Sua Palavra. Não havia mais força em mim. Estava rendido. Marília também entregou sua vida ao Senhor nessa noite. E assim recomeçarmos nossas vidas. Fomos, então, discipulados durante quase dois anos pela nossa família, meus tios e tias, em uma célula da própria família, que se reunia uma vez por semana na casa de minha avó paterna, até que nos encontramos na Igreja Batista Ebenézer. Meu chamado se deu muito cedo, logo que iniciamos nossa vida cristã na igreja em São Bernardo do Campo. Em uma terça-feira, culto de oração, de joelhos, orando fervorosamente, tive uma visão na qual eu pregava de cima de um palco muito grande para uma multidão. Enquanto orava, chegou um irmão e me tocou no ombro me entregando um bilhete do pastor da igreja, que me pedia para dirigir o culto daquela terça e, nesse bilhete, ele deixou um versículo para mim: Miquéias 7:14. Desde então o chamado foi-se tornando algo cada vez mais real em minha vida. Isso foi em meados de 1995. 

Pr. Paulo Falçarella - Eu e minha família viemos da Igreja Batista Ebenézer, em São Bernardo do Campo, igreja oriunda de um trabalho com pais de recuperandos do Desafio Peniel em Piracaia, interior de São Paulo. Eu e Marília já fizemos de tudo na igreja, mas, basicamente, dois ministérios marcaram nossa vida lá: ensino e pregação da Palavra de Deus.  Organizamos a Escola Bíblica Dominical; fundamos a Escola de Líderes, que até hoje forma os líderes daquela igreja; implantamos os grupos familiares, que deflagraram um crescimento muito grande na igreja. Estávamos com 100 membros e saltamos para 300, depois 500 e daí começamos a plantar novas igrejas. Eu e Marília plantamos, juntos, as duas primeiras filhas daquele ministério. Hoje eles têm 25 igrejas. É muito gratificante saber que fazemos parte da história daquele povo. 

Boa Palavra - Como surgiu o sonho da Casa da Família?

Pr. Paulo Falçarella - Posso dizer que foi a concretização de uma visão. Visão é o sonho que vai além das ideias. A necessidade de atender às famílias, de uma forma mais efetiva, levou-nos a buscar de Deus um modelo de ministério. Já contávamos com muitos cursos de apoio da UDF – Universidade da Família, que sempre foi nossa parceira nesta batalha pela estruturação e restauração das famílias, e, depois, fomos acrescentando ministérios da própria IBP, como: “O Caminho”, que cuida da consagração das crianças, o “Chá de Bebês” que hoje é o “ aM’ai”. Enfim, tudo isso era gerido a partir do meu gabinete na Casa do Povo e realizávamos os cursos e ministrações onde fosse possível.

Os ministérios começaram a crescer e já não havia mais lugar que comportasse os cursos. Um dia, voltando de uma banca de exame teológico da Ormiban, ouvi a voz de Deus em meu coração me dizendo para ir para a igreja. Resisti várias vezes durante o trajeto, até que aceitei e mudei meu caminho para a Vila Mariana. Chegando em frente à igreja, parei o carro e aguardei do Senhor um comando. Senti uma forte impressão em meu espírito para rodear o quarteirão da igreja e, após várias voltas, parei o carro em frente a uma casa que estava para alugar e fui surpreendido com uma visão aberta (de olhos abertos): Clínica da Família. Perguntei ao Senhor do que se tratava aquela visão e ouvi sua voz dizendo em meu coração: “Guarda a visão”. Depois deste dia, o Senhor foi acrescentando, dia a dia, o projeto. Compartilhando com o Pr. Jonas, entendemos que o projeto era algo grande e deveria estar debaixo de um guarda-chuva que congregaria várias ferramentas em prol da saúde espiritual e emocional das famílias, por isso, Casa da Família. Em agosto de 2008, Deus nos abençoou com uma casa no mesmo quarteirão onde me deu a visão. 

Boa Palavra - Quais as maiores dificuldades do trabalho com famílias?

Pr. Paulo Falçarella - Olhando com os olhos de quem cuida, eu diria que é a falta de conhecimento de Deus e de sua vontade. São dias difíceis, pois Deus já não ocupa o primeiro lugar no coração das pessoas e, consequentemente, nos lares. Isso tem gerado um deficit espiritual e emocional terrível, levando as pessoas a viverem de forma egocêntrica. A maioria dos dramas familiares se origina na falta de amor genuíno, perdão e respeito mútuos.  As outras demandas estão ligadas aos ciclos de vida familiar: nascimento, infância, puberdade, casamento, nascimento dos filhos e envelhecimento. São as chamadas crises do amadurecimento. Cada nova fase da vida irá demandar respostas novas que ainda não vivenciamos e, por isso, provocam dores, anseios, medos e insegurança. Por esse motivo é tão importante o apoio da família da fé! Juntos podemos compartilhar experiências, dores, perdas e, assim, fazer um pouco mais leve a vida de cada um. 

Boa Palavra - E as maiores alegrias?

Pr. Paulo Falçarella - Ver Jesus reinar na vida das pessoas. Graças a Deus, não é raro atendermos pessoas que não são crentes e, na caminhada do aconselhamento, elas tomarem uma decisão de conhecer melhor a Cristo. Pouco a pouco, vemos essas pessoas com um semblante transformado. A depressão foi embora, a dor da perda foi consolada pela presença do Espírito Santo, as feridas da traição foram tratadas com o óleo do perdão. Vidas que estavam definhando e que, por causa do amor de Jesus, renasceram para viver os planos de Deus! Isso é muito prazeroso. 

Boa Palavra - Como o senhor se define como pai?

Pr. Paulo Falçarella - A Bíblia diz: “seja a boca do outro que te louve”. Portanto, deixo esta resposta para os meus filhos e minha esposa. Lógico que tenho uma opinião sobre o papel que exerço como pai. Esforço-me para ser um bom sacerdote em minha casa, para prover o lar, não comendo o pão da preguiça, e liderando minha esposa e filhos segundo a Palavra de Deus nos ensina: com sabedoria, graça, misericórdia e, acima de tudo, amor incondicional. 

Boa Palavra - O seu estilo de pastorado é semelhante? Em quê? No que difere?

Pr. Paulo Falçarella - Procuro ser a mesma pessoa seja na igreja ou em casa. Creio que tenho conseguido! A diferença está na família! Minha esposa e meus filhos exercem um nível de compaixão e misericórdia muito mais elevados que minhas ovelhas e isso é compreensível. Se eu falhar como pastor, provavelmente, muitos me reprovarão e se afastarão de mim. Isso não acontece com minha família! Apesar de minhas falhas e limitações, eles sempre estão comigo! 

Boa Palavra - Qual é a importância da paternidade para a segurança da família?

Pr. Paulo Falçarella - Se tivesse que quantificar, em uma escala de zero a 10, eu diria 10! Tanto pela Bíblia quanto pela ciência, nos dias de hoje, sabemos que há duas coisas que marcam a segurança do ser humano: identidade (pertencimento) e missão (destino). Encontrar um ambiente que respeite a individualidade e promova o senso de equipe é a necessidade de todo ser humano! E o lugar eleito por Deus para isso chama-se família! Família à maneira de Deus é formada por um pai, uma mãe e ampliada com a chegada dos filhos. Este lugar chamado família deve ter um homem para amar e proteger sua esposa e filhos e uma mulher para amar e respeitar seu marido. É neste contexto que vamos imprimir o sentido de missão (destino) e de valor pessoal (identidade, pertencimento) em cada membro da família. Esse ambiente, com papéis bem definidos e exercidos debaixo dos princípios e valores bíblicos, vai garantir o sucesso da família!

Boa Palavra - O senhor teve um bom exemplo de pai? De que maneira isso influenciou a sua vida?

Pr. Paulo Falçarella - Posso dizer que sim! Apesar das lutas e fraquezas de meu pai em sua vida antes de conhecer ao Senhor Jesus, ele sempre foi um homem honesto, trabalhador, disciplinado e bom provedor. A influência foi positiva, mesmo se eu olhar as fraquezas. Hoje está ainda melhor! Ele recebeu a Cristo como seu Salvador e Senhor. É um homem de Deus, homem de oração, continua a trabalhar e a realizar seus sonhos, empreendendo até hoje. Isso me ensina a perseverar. Creio que esta é a maior marca que posso herdar de meu pai, a perseverança! 

Boa Palavra - Como é o seu relacionamento com os seus filhos?

Pr. Paulo Falçarella - Amigável, respeitoso, sincero e aberto. Há limites, mas não barreiras. Somos amigos, mas eu sou mais que amigo, sou pai. Nós nos conhecemos bem e isso nos ajuda a respeitarmos uns aos outros. Nosso diálogo é franco e aberto. Não temos assuntos proibidos. Há espaço para se opinar e ouvir o outro. Aprendemos a conviver com as diferenças de forma amistosa. 

Boa Palavra - O senhor sempre quis ser pai? Por quê?

Pr. Paulo Falçarella - Sim. Mesmo antes de me casar, sonhava com uma família. Casei e planejamos com um ano e meio de casados termos filhos. Os filhos têm a oportunidade de levar adiante nossas virtudes e de fazerem obras maiores do que nós. A Bíblia nos ensina um princípio que diz que os pais são glorificados nos filhos! Eles são nossa carta aberta ao mundo e às próximas gerações. 

Boa Palavra - Qual é o principal papel do pai na família?

Pr. Paulo Falçarella - A principal função de um pai é conduzir o coração de seus filhos a Jesus através de um modelo de vida piedosa, semelhante a Cristo. 

Boa Palavra - Que erros ou erro um pai não pode cometer?

Pr. Paulo Falçarella -  Creio que Deus sabe que somos imperfeitos e, apesar de não querer errar, todo pai erra. Porém, um grande erro que deve ser evitado a qualquer custo é o de criar filhos para o mundo. Isso já se tornou mais que um jargão, já é uma crença! A Bíblia nos ensina que devemos criar nossos filhos para Deus e, assim, poderemos lançá-los neste mundo sem medo de que venham a se perder.

 

Boa Palavra - Que qualidade é fundamental para ser um bom pai?

Pr. Paulo Falçarella - Ser um bom filho! Aprendemos obediência somente de uma forma: obedecendo. A obediência é a maior marca que um filho pode deixar no coração de um pai. Não me refiro a uma obediência cega, sem amor ou respeito. Mas a obediência que vem de um coração convertido, cúmplice e respeitoso. 

Boa Palavra - O pastor é um pouco pai das ovelhas? Por quê?

Pr. Paulo Falçarella - Creio que sim, mas não somente o pastor. Todo homem de Deus, no seio da igreja, é um candidato a pai substituto. É na casa de Deus que o órfão vive em família! É na casa de Deus que a viúva encontra cuidados! Deus, através dos homens na igreja, manifesta o caráter e o papel de pai para os muitos filhos que não têm seus pais por perto. 

Boa Palavra – Deixe o seu recado para o Dia dos Pais.

Pr. Paulo Falçarella - Bem, quero agradecer ao jornal Boa Palavra, pela oportunidade de compartilhar um pouco da minha história, e aproveito para desejar um feliz Dia dos Pais. Aos que já não têm mais seus papais presentes, que o amor de Deus os supra em graça e na companhia do corpo de Cristo, a igreja, possam minimizar a dor da saudade! Graça e paz a todos!

 

Por Myriam Rosário